Jogos de Poder #12 – A Tendência Progressista na Cultura Pop
Quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Jogos de Poder #12 – A Tendência Progressista na Cultura Pop

Excelentíssimos, está todo mundo desesperado. Tem Donald Trump, Escola Sem Partido e Michel Temer no mundo, eu sei, mas está na hora de relaxar: o Jogos de Poder de hoje vai ser a coisa mais gostosa que você verá nessa semana. Game of Thrones, Orange is the New Black, Mr. Robot, Beyoncé, o Papa Pop e uma porradeira de outras reflexões. Como uma injeção de esperança, vamos falar sobre como o discurso progressista é uma tendência na Indústria Cultural e porque isso está deixando os "reaças" inconformados.

Por mais que pareça o contrário, o mundo está evoluindo

A evolução histórica dos direitos humanos é lenta e gradual, mas até o momento o mundo evoluiu em muitos aspectos. Você pode até achar o contrário, mas esse é o período da história em que menos pessoas estão morrendo, seja pelo acesso aos recursos essenciais para a sua sobrevivência, seja em razão da diminuição da violência.

Tudo isso é conquistado com muita luta. Os Direitos não são reconhecidos ou construídos todos de uma vez, mas sim conforme a evolução sócio-cultural. Os direitos essenciais nascem das lutas contra a opressão, e são lentamente adquiridos quando as condições lhes são propícias, para assegurar a cada indivíduo uma existência digna. Frise-se: isto acontece por meio da luta, ou pelo hackeamento ideológico.

A indústria cultural tem o poder de consolidar massivamente um entendimento sobre o mundo sem que você perceba que está consumindo uma forma de pensamento. No caso, o que eu vou mostrar é que parte da cultura pop está seguindo uma tendência progressista no espectro político, isto é, o mercado está se apropriando deste discurso. Isso é bom? Não sei. Isso você não escutará de mim: apresento apenas uma tendência. E isso não tem nada a ver com o "marxismo cultural" do Olavo de Carvalho.

Vivemos numa guerra ideológica. Não é a toa que estamos presenciando um condensamento, uma agremiação da vertente da direita. Eles estão revoltados por estarem perdendo espaço! Donald Trump, Bolsonaro, e seus afins são algo como um "efeito rebote" da evolução do mundo, o efeito colateral que faz a gente querer vomitar a cada discurso. O desespero é tamanho que hoje há até essa insanidade chamada Escola Sem Partido. Isso se chama desespero! Logo menos vão reclamar de música sem partido, filme sem partido e tudo mais.

Com essa vertende, você pode até achar que tudo está perdido, que a tendência é o conservadorismo – até porque, convenhamos, no Brasil rolou golpe. Mas tente olhar sob uma perspectiva mais ampla. Será que estes caras têm espaço na produção cultural? Abra a mente e vamos juntos.

Angelina Jolie: de menina má para ativista política

Meu recorte temporal começa com Angelina Jolie. É claro que você a conhece, afinal ela e Didi Mocó já usaram aquele coletinho de embaixadores da ONU. Mas, antes de tudo isso, a imagem da atriz era construída no arquétipo da menina má, psicológico adolescente sedutor semi-ultrapassado que lembra um pouco "A presença de Anita", muito 2001. Graças ao senhor dos tempos, isso tudo passou. O amadurecimento dela como pessoa a tornou uma das precursoras nessa tendência; ganhou respeitabilidade e construiu uma imagem ativista dentro de Hollywood. E, olha, já faz mais de uma década que ela deu lições ao mercado pop.

O arquétipo Lisa Simpson

Não sejamos ingênuos: a cultura pop segue a tendência do mercado. E aquele discurso que prega que todos devem ser líderes, felizes, saudáveis e bem sucedidos, no melhor american way of life, está com os dias contados.

O tempo agora é dos Nerds, dos desajustados, dos fracos e oprimidos. E quem não está neste contexto está lutando para estar perto deles. A razão para tudo isso é clara: estes são a grande maioria, mas sempre foram tratados como excluídos sociais. A normalidade é muito chata. Os tempos de internet estão fazendo tudo isso mudar.

O Arquétipo de Lisa Simpson está em total ascendência na Cultura Pop mundial. Lisa, que não tem quase nada a ver com seu pai, Homer, vive em considera a sociedade vazia, hipócrita e cínica. Vegetariana por convicção, total defensora dos direitos das minorias, feminista e mais que estudiosa, a menina de 8 anos de idade é a consciência que reina sobre sua família. É mais madura que a grande maioria dos habitantes da cidade e tenta, a cada episódio, ajudar a todos. Lisa Simpson is the New Pop!

Mr. Robot: Fuck Society

Mr. Robot é a série dos desajustados da vez. Inspirado nos movimentos Occupy e Anonymous, Elliot Alderson é uma inversão hacktivista que faz contraposição ao grande clichê dos gênios do Vale do Silício. A narrativa com traços anarquistas lembra muito o filme Clube da Luta, ou aquele outro chamado O Sistema.

A 'fsociety', organização de hackers ativistas, tenta transformar o mundo em um lugar melhor através da destruição das bases do mercado financeiro. Mr. Robot, além de não ter heróis, foge dos estereótipos na construção de seu personagem principal – ele não é bonitinho, rico e bem sucedido. O cara lá é igual você, um ser humano normal, meio "lokstrot", com suas fragilidades cotidianas e bastante sede por mudança.

Game of Thrones: anarquia e representatividade feminina

"Matem os mestres, matem os soldados, matem todos os homens que seguram um chicote, mas não firam nenhuma criança. Rompam os grilhões de todos os escravos que virem!" Veja só, é quase uma comunista essa Taergaryan. Se não bastasse ela vem e fala: "Foram escravos por toda vida, hoje vocês estão livres. Qualquer um que quiser pode partir, e não será ferido, dou-lhes minha palavra". Daí ela dá uma escorregada: "Vocês lutarão por mim, como homens livres?"

Você vê o quão progressista é o discurso de Daenerys? Ela está falando com você aí, espectador, e é quase uma ordem para que você se rebele contra o seu chefe. Ou não, né?

Se você for pensar bem, a fala da rainha não faz o menor sentido em um contexto medieval; é muito revolucionário, e, como aprendemos, a evolução do pensamento, e a evolução até mesmo de uma concepção de liberdade, demora anos a ser compreendida. Não se converte um escravo em um ser livre em um discurso de 2 minutos. É uma ficção da modernidade liquida.

Na história da série, traços da filosofia anarquista são colocados em pauta quando retratam a cultura dos Selvagens, o povo livre. E isso contrasta, de alguma forma, com a guerra ao trono. Os selvagens são um povo que busca a horizontalização das relações de poder, ao passo que o "povo civilizado" deseja sempre ser guiado por um rei. É possível encontrar um discurso que muitas vezes critica o individualismo, faz críticas à religião e prega a separação de Deus e do Estado.

Enfim, de medieval só a roupa e a fachada dos castelos. Entretanto, as ideias poderiam ser mais progressistas se tentasse não desenvolver o heroísmo nos personagens, ou mesmo esquecesse o clichê do escolhido. Ainda assim, um grande avanço.

Impressionante é o número de personagens mulheres importantes, carismáticas e com personalidade marcante no desenvolvimento da narrativa. São muitos os exemplos: Arya Stark, Sansa Stark, Daenerys Targaryan, Yara Greyjoy, Brienne de Tarth, Ygrite, Lyanna Mormont. Esse número de personagens mulheres e com tamanha importância em uma narrativa não é comum em Hollywood. Um bom indicativo disso é o teste "Bechdel", muito legal para dizer se um filme tem algum indicativo de preconceito de gênero e não valoriza o papel da mulher na história. Sempre que você assistir a um filme, faça essas três perguntas: Há mais de uma mulher com falas? Essas mulheres conversam entre si? O assunto da conversa é algo além de um homem?

Eu encontrei dados diversos dizendo que 90% dos filmes não passam, enquanto outros dizem um pouco menos que isso. De qualquer maneira, começamos a ver uma mudança, uma tendência que visa o mercado feminino. Jogos Vorazes, Frozen, Valente, Cisne Negro, Kill Bill, As crônicas de Nárnia, e diversos outros são exemplos disso e foram aprovados no teste de Bechdel. Confira aqui a lista dos filmes aprovados.

Orange is the New Black e Jessica Jones

A série Orange is the New Black é uma história tragicômica que retrata as interações entre mulheres que vivem às margens da sociedade, lidando com a persistência de opressões e privilégios institucionais relacionados a gênero, etnia e classe social. A série se tornou uma referência para este mercado crítico, inclusive por abordar referências a casos reais de assassinatos por policiais de jovens negros. O resultado disso é que já é uma das séries mais bem-sucedidas da história e tem uma porrada de temporadas garantidas para os próximos anos.

Uma outra série revelação para as mulheres é Jessica Jones, sobre uma super heroína. Tempos atrás isso não seria possível, agora é. Na série, a relação entre Jessica Jones e Kilgrave, seu arqui-inimigo na primeira temporada, é uma metáfora sublime para relacionamentos abusivos e a força necessária para sair deles. Wow. Está vendo? O mundo não está perdido.

Playboy não publicará mais fotos de mulheres nuas

A revista norte-americana Playboy anunciou no final do ano passado que não iria mais publicar fotos de mulheres nuas. Sério! É o que o editor-chefe da revista, Hugh Hefner, disse. Aqui, no Brasil, ela acabou e depois ressurgiu com uma cara de nu artístico conceitual. O que está acontecendo no mundo das revistas masculinas? Não só a ampla oferta de pornografia gratuita na internet acabou com a demanda de pagar para ver mulher pelada, como também as celebridades têm cobrado cada vez mais caro para serem fotografadas.

Chelsea

Já ouviu falar de Chelsea? Chelsea Lately, transmitido pelo canal por assinatura E!, era carregado de sexo e focado em celebridades. Tudo isso acabou! Agora, o novo programa é transmitido via Netflix e trata de explorar o mundo e aprender. O programa é descontraído e tem caráter progressista, visando fazer entrevistas ácidas ao estilo de vida republicano.

Obviamente, antes de aprovar a criação deste novo formato de Late Show, a Netflix fez muita pesquisa para saber como seria a recepção do público a uma mulher como Chelsea no comando do programa. Ela faz questão de mostrar que é politicamente ligada à esquerda, solteira por opção, usuária recreativa de drogas e que não pensa em ter filhos, de jeito nenhum.

Sense 8

Essa talvez tenha sido a série que melhor tenta retratado a cultura LGBT nos últimos tempos: sem rodeios, sem puritanismo. Os gays, lésbicas e transexuais se relacionam abertamente em diversas cenas, da mesma forma como acontece com qualquer cena de amor hétero em Hollywood.

No Sense8, o sexo pode ser carinhoso e pode ser muito selvagem; as cenas são cruas, o que pode chocar muito recalcado por aí. Se você achou forte, talvez ainda esteja acostumado ao modelo novela da Globo em que todo mundo espera a semana inteira pra ver um beijo gay contido. A evolução de Sense8 para uma novela é que, na série, o beijo gay é normal, comum, parte do dia-a-dia. Na novela, ainda é motivo para tabu.

Mais inovador ainda é que Sense 8 apresenta a história de um casal gay e um casal lésbico, sendo uma delas transexual. Ou seja, estão discutindo a questão de gênero bem fora da caixinha. Nesse ponto, veja só, Netflix está de parabéns.

O Papa é pop, e a evolução do discurso progressista, mais ainda

Como já disse Engenheiros do Hawaii, o Papa é Pop. O Papa Francisco mais ainda, já que dispensa apresentações e tem despontado como um dos grandes ícones progressistas da atualidade. Cada dia que passa parece ganhar mais confiança e afiar mais o seu discurso contra a opressão. Tudo bem, pessoal, ele é o Papa, representa uma instituição conservadora e só pode avançar até certo ponto. No entanto, ele anda fazendo isso direitinho.

Em 2013, ao ser questionado sobre gays na religião católica, respondeu que "se uma pessoa é gay, procura Jesus e tem boa vontade, quem sou eu para julgá-la?", o que foi motivo suficiente para comemoração. Três anos depois, agora em 2016, o papa melhorou ainda mais o discurso e disse que a igreja deve pedir perdão aos gays pelo tratamento dado a eles no passado. O Papa querido por muita gente é um ícone progressista da igreja.

Para que carrão se eu tenho um discurso rebelde para substituí-lo?

Da MTV para o Youtube, o mercado de música e videoclipes também evoluiu um bocado. Não que os videoclipes com carrões e ostentação de jóias tenham sumido das telas, não. Mas a questão é que a incidência desse tema na música é muito menor hoje do que há alguns anos. Atualmente, pop é fazer um discurso que tenha reflexo na vida das pessoas, seja como forma de crítica ou para dar visibilidade a alguma minoria.

Os carrões, champagnes, mansões e festas foram substituídos, por exemplo, por uma crítica sobre esse modelo de ostentação. Veja a música Royals da cantora Lorde: "não seremos realeza, esse tipo de luxo não é pra gente".

A cantora Mia também fez, nesse ano, uma música chamada Boarders. Ao se referir às fronteiras, ela lembra da luta dos refugiados árabes para conseguir um espaço no mundo para sobreviver. É uma clara crítica ao fechamento das fronteiras, às guerras e perseguições a determinados grupos religiosos.

Mais um expoente na música que também surfa a onda é a Beyoncé, diva da música pop. Ela lançou neste ano o álbum Chocolate, com uma série de músicas que denunciam a violência policial contra negros, também em alusão à campanha de direitos humanos "Black Lives Matter". Tá vendo, Racionais é tendência. Dentro do tema, Beyoncé se apresentou no Super Bowl, símbolo do show business da cultura pop norte-americana e provocou um debate mundial sobre o racismo.

Lady Gaga

Outra mulher ativista nesta lista! Lady Gaga encontrou recentemente Dalai Lama, líder espiritual, símbolo da independência do Tibet. Só a foto da entrevista foi curtida por pelo menos 412.000 pessoas no Instagram, e isso enfureceu o governo chinês. Eles se encontraram para um debate, transmitido ao vivo pela internet, e isso foi o suficiente para o ministro chinês das relações exteriores, Hong Lei, condenar a cantora americana por se envolver na questão da independência do Tibet. Logo em seguida, o departamento de publicidade chinês decretou o banimento das músicas da cantora e tudo que fosse ligado à sua imagem. Ou seja, Lady Gaga teoricamente perdeu o maior mercado do mundo, o Chinês, e tudo isto para reforçar a sua imagem ativista e protestar pela causa. Selena Gomez se deu mal pela mesma coisa.

Oscar

O Oscar esse ano ficou pequeno diante de tanta polêmica! O evento de 2016 foi marcado pelas críticas de atores negros ao evento, já que entre as principais categorias do Oscar 2016 só havia artistas brancos. Alguns nomes, como Spike Lee e Will Smith, preferiram ficar do lado do boicote ao prêmio. O assunto também foi trending topic no Twitter.

Quase como um 'mea culpa', Chris Rock foi convidado para ser o apresentador da cerimônia, e fez uma série de piadas sob os mais diversos ângulos a respeito do debate. No final das contas, ele fez a defesa dos negros, mas mesmo assim o evento aconteceu e nenhum negro sequer foi indicado.

DiCaprio aproveitou o espaço em cima do palco para tecer um discurso ecológico e lembrar que o mundo não está garantido. Seja com o assunto racismo, ou ecologia, tenho certeza que todo esse barulho vendeu muito bem o Oscar. Ano que vem vai ser ainda maior e mais polêmico.

O humor não ridiculariza mais o oprimido

Felizmente, nessa tendência progressista que se desenha, o humor também tomou um novo rumo. Anos atrás, o programa de televisão CQC, na Band, já fazia um humor considerado mais "inteligente". Na hora em que já não era mais novidade, esqueceram de se reciclar e passaram a ser um grande clichê de um pseudo-jornalismo-humorístico-inteligente. Saldo negativo, no meu ponto de vista. Eles emburreceram as pessoas e as fizeram acreditar que xingar ou zombar políticos era sinal de ser politizado. Surfaram a tendência, mas floparam no meio do caminho.

Mas as surpresas, já diziam os mais sábios, surgem nos momentos e das pessoas mais inesperadas, veja só. É notável, por exemplo, a excelente mudança na linha humorística do Zorra Total.

Hoje os tempos são outros e há uma militância forte que reclama por melhor representatividade das minorias políticas. A equipe do Zorra parece estar ciente desse novo cenário e quer jogar junto com a militância. O Brasil claramente vive um momento de intolerância, o que pede para que essas questões sejam tratadas com atenção.

Quem não está antenado com este tipo de mudança corre o risco de fazer carão, como no caso da Marcela Tavares, humorista, que resolveu fazer humor falando mal do brasil, do brasileiro, enfim… Chegou em Nova Iorque com este discurso enlatado, sem o mínimo de refinamento, e saiu escrachada do palco.

Este tipo de gafe já não é tão comum, contudo, ao canal Porta dos Fundos, ou ao Sensacionalista, páginas que hoje representam a vanguarda do humor Pop. Já para aqueles que estão acostumados a vender o corpo feminino e a fazer piadas homofóbicas… Sem anúncios, o Pânico na TV está com os dias contados, sob risco de encerrar o programa ainda este ano. Talvez o que reste a estes comediantes – sem graça, diga-se de passagem – seja se fidelizarem ao nicho do "stand-up preconceituoso", cujo picadeiro é palanque para racistas, machistas e anticomunistas.

Na internet, todo mundo é pop

Em suma, o mundo pode ser um pouco mais humano e as pessoas não precisam pagar tanto para se divertir. Por isso temos visto, nos últimos tempos, tantas páginas apostando nesse novo lado da cultura pop. É o caso do site Papo de Homem, por exemplo, em que homens futricam e são sensíveis, preocupados em melhorar como seres humanos, sem espaço para machismo. Na página Quebrando Tabu, no Facebook, a linguagem acessível e a sagacidade dos editores traduzem o melhor deste progressismo pop, com direito a Memes e textão. Catraca Livre tá aí para mostrar que o mundo pode ser um pouco melhor sem catracas, ou pelo menos pagando baratinho sem louvar o Deus Capital. Aqui no Just, ah, o Just. O Just é pop!

Curtiu o Jogos dessa semana? Não se esqueça de assinar o canal do Youtube do Justificando. Ah! E não se esqueça de clicar para receber todas as notificações do canal, pois só assim você vai se ver "de cara com o gol" para assistir mais Jogos, Justificando Entrevista e Coisas que você precisa saber. Fechou? 😉

Meu nome é André Zanardo e me chamam de Filho Bastardo do Príncipe. Nos vemos no próximo Jogos de Poder.

Quarta-feira, 17 de agosto de 2016
COMPARTILHE

Tweet
Share
Google

APOIO

Apoiadores
Seja um apoiador

ANUNCIE

Aproximadamente 1.5 milhões de visualizações mensais e mais de 145 mil curtidas no Facebook.

CONTATO

[email protected]
Av Paulista, 1776, 13º andar, Cerqueira César
São Paulo/SP