Para filósofo, as reflexões de Bauman impactam no pensamento jurídico
Segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Para filósofo, as reflexões de Bauman impactam no pensamento jurídico

O sociólogo polonês, Zygmunt Bauman, morreu nesta segunda-feira (9), aos 91 anos, em Leeds, na Inglaterra. Considerado um dos mais consagrados intelectuais que pensou a pós modernidade – tempo categorizado pela superação de debates estruturais -, Bauman é também conhecido por sua capacidade de comunicação de maneira clara e simples, fazendo com que debates sobre a filosofia saiam da “bolha academicista”.

Nascido na Polônia, quando ainda criança fugiu com sua família, de origem judia, do nazismo para a União Soviética, onde permaneceu até 1968, sendo expulso do Partido Comunista e do país, em uma época marcada pelo antissemitismo. Migrou para Israel, posteriormente, onde permaneceu até ser chamado para lecionar na Universidade de Leeds, local que abraçou durante a maior parte de sua carreira.

Bauman foi autor de mais de 50 livros e em um deles, publicado em 2000, culminou o conceito amplamente difundido de “modernidade líquida”, na qual tudo o que era sólido, virou fluido aquoso: nossas relações interpessoais, nossa comunicação, nosso modo de viver em sociedade etc.

Suas críticas costumavam abordar diversas áreas do conhecimento, como a antropologia, sociologia e a filosofia. Em uma de suas obras sobre a globalização, Bauman apresenta uma análise extremamente embasada sobre Turistas e Vagabundos, na qual as pessoas estão sempre em movimento, ainda que não se movam fisicamente, como é na internet. Para o autor, somos viajantes e nos dividimos em dois “grupos”, o dos turistas e o dos vagabundos. Ambos são consumistas, no entanto, o primeiro grupo é composto por habitantes da classe alta, elites dependentes de um mundo onde viajar é algo sedutor, “são adulados e seduzidos a viajar”. Em paralelo, o segundo precisa passar por alguns “muros da imigração”, com leis de residência e a política das “ruas limpas”.

Pensando na influência de Bauman para as mais diversas áreas, o Justificando conversou com o filósofo Silvio Almeida, que destacou a importância do intelectual, enquanto um dos principais pensadores do século XX. “Ele mesmo [Bauman] dizia que não era um sociólogo pós moderno, mas um sociólogo da pós modernidade e, com isso, soube traduzir e diagnosticar o que é a pós modernidade.”

Em debates e entrevistas, era comum que o caracterizassem como uma pessimista, talvez por sua visão nada idealista, em especial quando falava de temas polêmicos como a crise do neoliberalismo, da democracia, a desigualdade social crescente, como é ser consumidor na sociedade de consumo, o papel de cada um na “máquina da globalização” e a dificuldade em absorver as coisas devido a velocidade que são produzidas.

Tais temas são expressamente importantes a filosofia do Direito, segundo Silvio, “assim como o próprio direito tem sua origem atrelada à modernidade, a advocacia é uma atividade da modernidade, é uma atividade fundada na opacidade da razão e Bauman parecia ter isso muito claro“.

Em janeiro de 2016, ao ser questionado se a democracia está em perigo, Bauman afirmou ao El País que “o está acontecendo agora, o que podemos chamar de crise da democracia, é o colapso da confiança. A crença de que os líderes não só são corruptos ou estúpidos, mas também incapazes.”

Um dos destaques de Silvio também foi acerca da democracia, que para ele “ser ferramenta do Direito e da sociedade”. “Bauman foi um homem de grandes diagnósticos e a maneira como é encarado o direito moderno, desde os fundamentos, até princípios, é justamente o que ele chamou de pós moderno“.


Uma singela homenagem do Justificando ao sociólogo que, ainda pelos tempos “líquidos” terá em sua morte uma repercussão redes por pouco tempo, seu legado permanece.

Segunda-feira, 9 de janeiro de 2017
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