Caso de goleiro Bruno acende debate sobre feminismos, punitivismo e machismo
Segunda-feira, 13 de março de 2017

Caso de goleiro Bruno acende debate sobre feminismos, punitivismo e machismo

Solto na véspera de Carnaval, Bruno Fernandes de Souza, mais conhecido pelo predicado de sua profissão aliado ao primeiro nome – Goleiro Bruno – movimentou o público do Justificando em um debate que abrange feminismos, punitivismo e complacência com violência contra a mulher. Nos últimos dias, foram três textos sobre o assunto, cada um com uma abordagem diferente.

O interesse despertado pela pauta contribuiu para algumas visões sobre o tema. De um lado, amparado na crítica à “esquerda punitiva”, terminologia inaugurada pela magistrada do Rio de Janeiro, Maria Lúcia Karam, aponta-se a incoerência de pessoas identificadas com ideais progressistas, mas que apostam na punição como solução para o caso. 

Foi o caso, por exemplo, do primeiro texto publicado no Justificando sobre o tema. De autoria de William Machado, Advogado e sob o título “o caso goleiro Bruno e a esquerda punitiva”, a publicação questionou movimentos feministas e sua relação com o desejo de punição ao atleta – “o desejo de que “se pague pelo que se fez” é tão intenso que qualquer menção a direitos do apenado é visto como uma afronta à sociedade e principalmente à vítima e/ou seus familiares”, afirmou. 

Entretanto, há outras visões sobre o assunto que entendem que reduzir o incômodo com a complacência em casos de violência contra a mulher à ideia de punitivismo não contribui para o debate. Em resposta a esse artigo, a Doutora pela Universidade de Brasília Soraia da Rosa Mendes publicou o artigo sob o título: Rotular feminismos como “esquerda punitiva” mostra falta de profundidade teórica

Adepta do Direito Penal mínimo e autora da obra sobre criminologia feminista, Soraia, no artigo, afirma que “a resposta punitiva não pode ser mais do que um elemento excepcional e possível, o que, no universo de reivindicações feministas pela efetividade dos direitos fundamentais à autodeterminação e à proteção contra a violência de gênero, significa a configuração de um programa de direito penal mínimo para as mulheres”.

Já a Pesquisadora da Fundação Getúlio Vargas e colunista no Justificando, Maíra Zapater, explicou no texto a pergunta que fez no título – O que incomoda no caso goleiro Bruno?Ligada do abolicionismo penal, Zapater afirmou na publicação que a incomoda não é a libertação, ou o fato dele eventualmente jogar futebol novamente, “mas sim a leniência dessa parte do público que, de um lado, tão rapidamente se volta para linchar quem pratica um furto ou picha um muro, e de outro faz questão de tirar selfies com alguém que é retratado pelo sistema de justiça criminal e pela mídia como alguém condenado pelo assassinato de sua ex-mulher”.

Os três textos estão disponíveis para consulta no portal.

Segunda-feira, 13 de março de 2017
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