Justiça liberta palestinos presos em confronto com grupo xenófobo
Quarta-feira, 3 de maio de 2017

Justiça liberta palestinos presos em confronto com grupo xenófobo

As quatro pessoas – duas delas palestinas – que foram presas após o confronto na marcha anti-imigração que ocorreu na Avenida Paulista foram soltas na audiência de custódia no Fórum Criminal da Barra Funda após decisão do Juiz de Direito José Eugenio do Amaral Souza Neto.

Dentre os presos estava Hasan Zarif, do grupo Palestina Para [email protected] e proprietário do restaurante e bar palestino Al Janiah, localizado no bairro do Bexiga, na região central. Além de Zarif, o palestino Nour Alsayyd também foi preso, assim como os brasileiros Roberto Freitas e Nikolas Silva. 

A defesa no Distrito Policial e no Fórum da Barra Funda ficou a cargo da Advogada Giovanna Semeraro, Maria Jamile José, dos Advogados Hugo Albuquerque, Rodrigo Saccomani, Denis Vieira Junior, Guilherme Alves e o Defensor Bruno Shimizu que negaram as acusações de explosão, associação criminosa, lesão corporal. e resistência e pediram a liberdade dos presos.

A promotora Cristiana Pariz pediu para a conversão da prisão em flagrante para prisão preventiva apenas em relação aos palestinos, sendo que ainda teria em relação a Nour o agravante de uma lesão corporal a um policial. Quanto aos brasileiros, a promotora alegou que não havia provas de condutas individuais em relação a eles.

No entanto, o Juiz de Direito preferiu impor medidas alternativas à prisão em relação aos palestinos, como comparecimento mensal em juízo, proibição de frequentar atos anti-imigração e de contatos com as supostas vítimas. José Eugenio afirmou que o material de prova em relação a explosão seria farto, mas ambos são réus primários e possuem emprego. Já quanto aos brasileiros, os flagrantes foram relaxados e nenhuma medida foi imposta, uma vez que não houve comprovação de relação deles com o caso.

Leia a decisão na íntegra.

Entenda o caso

Os grupos de direita faziam uma manifestação contra a Lei de Migração, aprovada no Senado. Dentre os discursos, bradavam que os imigrantes vão tirar a saúde do povo brasileiro e vão causar problemas de segurança. Os imigrantes, que trabalham em um restaurante próximo ao local, protestaram contra a marchar e o confronto se iniciou, sendo que ambas as partes se acusam mutuamente pelo início do conflito. Cerca de oito pessoas ficaram feridas e somente quem se opôs à marcha xenófoba foi preso, enquanto os manifestantes que marcharam foram tratados como vítimas. 

Como denunciou o advogado dos manifestantes presos, Hugo Albuquerque, no 78º Distrito Policial, para onde foram levados, dificultou por horas o contato entre eles e o profissional, enquanto manifestantes de direita tiveram livre acesso no ambiente. Além disso, Albuquerque se queixou da falta de informação passada pela polícia civil para os trabalhos da defesa.

Quarta-feira, 3 de maio de 2017
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