Em nome do amor
Segunda-feira, 19 de junho de 2017

Em nome do amor

Foto: Miguel Schincariol/AFP

A 21ª edição da Parada do Orgulho LGBTT de São Paulo, neste domingo (18), foi enorme. Enorme porque reuniu cerca de três milhões de pessoas, segundo os organizadores do evento, mas fundamentalmente enorme porque foi uma demonstração de liberdade e o grito de todas as formas de amor e de desejo. 

Muitas pessoas questionam que a Parada seria uma festa muito mais do que um ato político. A eles eu respondo que, num país onde as pessoas são agredidas e mortas pela sua orientação sexual, no país que mais mata transexuais e travestis do mundo, num país que massacra quem não encaixa nos padrões sexuais da “família tradicional cristã”, festejar o amor é um ato de luta. Diante de tanta violência, beijar na rua é um ato político, sim.

Infelizmente ainda falta um caminho muito longo contra um Congresso conservador e retrógrado e uma bancada fundamentalista que se empenham em não aceitar outras formas de amor e desejo que não sejam as que supostamente Deus exige. Que Deus estranho esse, o dos homens de bem, que condena o amor, mas não condena as malas que correm como ratos por Brasília.

Parada Gay. 18, 2017. Foto: Miguel Schincariol/AFP

Há quem diga que se sente ofendido quando vê dos homens ou duas mulheres se beijando na rua. Triste e cruel a sociedade que se sente ofendida com algo tão deslumbrante e natural como um beijo.

“Sou contra o casamento gay”. Mas como alguém pensa que tem direito a ser contra a forma dos outros se casarem? Não me digam que não é de uma violência extrema querer impor nosso modelo de amor a todos.  Ame você como quiser, case com quem quiser, beije quem quiser e deixe que cada um nós faça, também, o que quiser.

Imagino um dia em que beijar na rua não seja um ato político. Esse dia chegará, mas até lá: amem, beijem e desejem, porque, por enquanto, a violência continua matando. E nosso amor, em todas suas formas, é luta. Parabéns a todos nós pela festa linda de domingo. Éramos muitos. Eles, os que condenam, os que se ofendem, os que matam, ainda são muitos também.

Nosso amor vencerá o ódio deles.

Esther Solano é Doutora em Ciências Sociais e professora da Universidade Federal de São Paulo. 

Segunda-feira, 19 de junho de 2017
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