O casuísmo de Fernando Henrique Cardoso
Segunda-feira, 19 de junho de 2017

O casuísmo de Fernando Henrique Cardoso

Foto: Foto: Beto Barata/PR

Casuísmo significa submissão a ideias, pensamentos, doutrinas ou ainda a situações concretas, de momento, por isso, os argumentos que dessa submissão emergem são sempre frágeis, dúbios e duvidosos; por não estar consolidado em princípios solidamente estabelecidos.

No último dia 20 de maio/2017 o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em telefonema ao presidente Michel Temer, reiterou total apoio ao seu governo, recomendando-o a se manter firme ante as denúncias que vem sofrendo e disse que nunca sugeriu a sua renuncia, como foi noticiado pela imprensa.  (Estadão – Tânia Monteiro, 22 Maio /2017)

No dia 18, portanto dois dias antes de ligar para Temer, o ex presidente publicou em sua página no facebook,  que “se os implicados no escândalo não tiverem alegações convincentes pra se defender das acusações, devem ter o dever moral de facilitar a solução, ainda que com gestos de renuncia”. Na mensagem FHC não cita os nomes de Temer e Aécio, mas fala sempre no plural. Na mesma quinta-feira, dia 18, Fernando Henrique declara a Murilo Aragão, da consultoria Arko Advice, que a renúncia pode ser o melhor caminho para Michel Temer, se ele não conseguir dar explicações convincentes às acusações que lhe são feitas. 

Alguns dias depois dessas declarações, em entrevista à Rádio Bandeirantes, FHC voltou atrás e declarou que não via motivos para Temer renunciar:

Quando o presidente Temer falou e eu também quando escrevi, não tinha conhecimento da gravação. Eu não creio que a gravação seja suficientemente forte para levar a destituição de um presidente (…) Não vi que houvesse um elemento decisivo.

Além das contradições em apoiar a renúncia de Temer e ser contra a renúncia, Fernando Henrique não consegue formar juízo de valor sobre eleições diretas e indiretas.

No desenrolar do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral, o ex-presidente publicou em 07 de junho, artigo em diversos jornais discutindo os possíveis cenários caso o TSE, cassasse a chapa Dilma-Temer, afirmando que a opção por eleição direta “seria um golpe constitucional”

Uma semana depois, no dia 15 de junho, Fernando Henrique, muda novamente de opinião e defende a realização de eleições diretas. Diz que Michel Temer deve ter a iniciativa desse processo, já que perdeu a legitimidade para continuar no cargo.

Questionado sobre suas posições antagônicas, o ex-presidente reconhece que vem adotando posições públicas contraditórias. Procurando explicar o inexplicável, diz que, “no calor dos embates diários e de declarações dadas às pressas, talvez não tenha sido claro”. Disse ainda; “a conjuntura política do Brasil tem sofrido abalos fortes e minha percepção também”. 

Ora, justificar os abalos de percepção e a descontinuidade de pensamentos aos abalos da conjuntura política não é uma boa desculpa, mas é original e próprio dos políticos brasileiros ativos e inativos, cujo pensamento está sempre em conformidade com o vento dos acontecimentos e a esse raciocínio estéril, sem consolidação em princípios, é o que chamamos de casuísmo, um mal que caminha de mãos dadas com a demagogia populista e que prolifera no terreno fértil da ignorância.

Frederico Rochaferreira é Escritor – especialista em Reabilitação pelo Hospital Albert Einstein, membro da Oxford Philosophical Society. 

Segunda-feira, 19 de junho de 2017
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